domingo, 19 de fevereiro de 2017

ATARI 45 ANOS - CONHEÇA A HISTÓRIA DO ATARI NO BRASIL



Ah, histórias...
Existe muita informação na Internet sobre o Atari e sua história, porém a informação existente é apenas relacionada ao acontecido nos EUA. Pouca - ou nenhuma - informação existe com referência a nossa história, a história do acontecido aqui no Brasil. E aqui a indústria do videogame se deu de forma peculiar. Então vamos preencher esta lacuna e conhecer um pouco desta história, a qual tenho certeza você relembrará e identificar-se-á.




RESERVA DE MERCADO

Antes de começarmos é preciso entender um aspecto extremamente importante, pois sem compreender isso dúvidas vão aparecer.
Nos anos 80 era proibido, devido a legislação vigente, a importação de equipamentos eletrônicos em geral, principalmente os da área de informática. Videogames estavam incluídos nisto. Só seria possível fabricá-los aqui e por empresas brasileiras. Isto era uma forma de incentivar a indústria eletrônica nacional a se desenvolver. Não cabe aqui julgar se isso foi certo ou não. O conjunto de leis, atos normativos e demais dispositivos legais que regulamentavam essa prática foi denominada "Reserva de Mercado", a qual culminou com a Lei 7.232 de 29 de outubro de 1984. Você pode ler a íntegra desta lei aqui. Existia um órgão do governo, a SEI (Secretaria Especial de Informática) que era responsável por tudo relacionado a área. Para vocês terem uma idéia os pretensos fabricantes dos aparelhos tinham que submeter o projeto à aprovação da SEI, a qual estipulava um cronograma de "nacionalização", ou seja, quantas e quais peças seriam fabricadas aqui e quantas e quais, que no projeto original eram importadas, seriam sucessivamente substituídas por peças nacionais ou fabricadas aqui.
É devido a essa legislação existente à época que se desenvolveu a indústria nacional de videogames. E tivemos um bom sortimento de aparelhos diferentes, o que torna o videogame brasileiro único. Certamente a minha, a sua, a nossa lembrança dessa época são destes aparelhos, seus cartuchos e tudo que rolou na época, aqui no Brasil.
Agora esclarecido o assunto, vamos a história.


ANTES DA EXPLOSÃO

Antes do videogame "explodir" em terras tupiniquins (nos anos de 1983 e 1984) já existia uma boa quantidade de videogames "importados" dos EUA e cerca de 95% destes aparelhos eram Ataris. Ele foi lançado lá em 1977 e desde pouco depois começou a aparecer por aqui. O auge dessas "importações" ocorreu entre 1981 e 1982, quando muitos - guardadas as devidas proporções - consoles apareceram por aqui e ocorreu a célebre importação e venda de um lote de Ataris comprados pelos dois grandes magazines da época, o Mappin e a Mesbla. Os consoles foram importados, convertidos para o sistema brasileiro de cor, o PAL-M, e colocados a venda. Obviamente não duraram muito nas prateleiras. E ainda nessa época a indústria nacional começou a acordar para o mercado de videogames. Duas empresas, as quais foram as pioneiras, começaram a fabricar cartuchos nacionais para o Atari: a Canal 3 Indústria & Comércio e a Dynacom Eletrônica. Estava pavimentado o caminho para a entrada em definitivo do videogame no Brasil.



O COMEÇO DA DIVERSÃO

1983 foi o ano do início da "febre" dos videogames aqui no Brasil. As empresas começavam a se mexer para começar a fabricação dos aparelhos. A primeira grande indústria a anunciar e colocar a venda o seu aparelho foi a Philips, com o videogame Odyssey, em Maio de 1983. Uma coisa que poucos sabem é que o primeiro videogame com o hardware compatível com o Atari lançado foi o Top Game, da Bit Eletrônica, em 1981 ainda. Podemos considerá-lo como o primeiro videogame de fabricação nacional. Porém, talvez temendo problemas legais, a Bit Eletrônica mudou o tipo de conector do cartucho. Evidentemente isso não deu muito certo porque impedia de usar os cartuchos do Atari diretamente. Depois a Bit lançou um adaptador para colocar cartuchos Atari "normais" mas ai já era tarde.

Então, o primeiro console realmente compatível com o Atari lançado no mercado foi o Dactari, fabricado por uma empresa chamada Sayfi Eletrônica. A Sayfi lançou o "TV Computer System 2600-A" em maio de 1983, com baixa produção inicial. A intenção era aproveitar o "vazio" de mercado, pois outros consoles compatíveis com o Atari seriam lançados somente no segundo semestre de 1983. Com um design praticamente copiado do Atari 2600 original, a Sayfi se deu bem. Os primeiros lotes foram comercializados exclusivamente pelas lojas Computerland. Posteriormente a Sayfi mudou de nome, e provavelmente de dono, e se tornou a Milmar Eletrônica. E a Milmar lançou depois o Dactar (sem o "i" no final) com design um pouco modificado, mas não muito diferente do Atari original; o Dactar II, igual ao Dactar mas com o painel metálico; e o famoso Dactar Maleta, também conhecido como Dactar 007. Este foi uma idéia bem interessante: fazer um Atari embutido numa maleta. Talvez a idéia tenha surgido das maletas que se comercializavam na época: maletas de madeira ou couro para colocação do console, controles e cartuchos. A Milmar resolver embutir o circuito do Atari direto numa mala ! Sem dúvida, foi uma idéia única.

Mas a Sayfi não ficaria sozinha por muito tempo. A Dynacom, então na época uma pequena empresa e uma das pioneiras na fabricação de cartuchos nacionais, anunciou o lançamento do seu console compatível com o Atari: o Dynavision. Este tinha um design totalmente original e diferente, era bem robusto e tinha características atraentes: entrada dos controles pela frente do console, botões e controles vistosos e um circuito melhorado que "silenciava" a TV quando o videogame era desligado para a troca de cartuchos, evitando o incômodo chiado. E também acompanhava o console o famoso controle Dynastick. Era um controle resistente, anatômico, com botão de tiro duplo e com ventosas para fixação. Embora alguns "torcessem o nariz" para o controle, ele era de fato de ótima qualidade. A Dynacom mostrou um protótipo do Dynavision na UD de 1983. Aqui um parenteses: saibam que a UD (abreviação de Utilidades Domésticas, era uma espécie de mostra de equipamentos eletro-eletrônicos) naquela época não era igual agora. Naquela época a UD era apenas uma feira de "demonstração", mostravam-se os produtos que seriam lançados, e não se vendia nada. Por isso, as diversas empresas mostravam os videogames - geralmente protótipos - mas nenhum era vendido na UD.

O segundo semestre de 1983 foi a largada definitiva dos videogames por aqui. A Dynacom lançara seu Dynavision em agosto de 1983. Mas o grande lançamento, a grande sensação do ano chama-se Polyvox. A Polyvox, uma empresa pertencente ao grupo Gradiente, que até então era especializada na venda de aparelhos de som, assinou um contrato com a Atari Corp. dos EUA, para a distribuição oficial do Atari 2600 Video Computer System no Brasil. Contando com toda a estrutura de uma empresa de porte, a Polyvox não deixou por menos, fez uma grande campanha publicitária, com comerciais, anúncios, panfletos etc, e lançou, no final de agosto de 1983 o tão esperado Atari 2600 VCS nacional. Junto com ele vieram também 28 cartuchos, todos da Atari, com caixa, manual e acabamento impecáveis, como os norte-americanos. Porém isto implicou num custo maior para esses cartuchos. Apesar disso, a Polyvox inundou o mercado com milhares de consoles e cartuchos em 1983. Talvez devido a grande produção o custo não tenha ficado tão exagerado assim.

Obviamente que o grande alvo dos fabricantes era, então, o Natal de 1983. E de fato eles não estavam errados. O mercado brasileiro, que há muito tempo anseava pelo consumo dos jogos, deu a resposta que os fabricantes queriam: uma corrida as lojas para garantir o seu console de videogame e os seus jogos. Diziam na época que, se conseguissem aumentar a produção tudo seria consumido. E ainda considerando que não existiam somente consoles compatíveis com o Atari, existiam o Odyssey, da Philips, o Intellivision da Digiplay/Sharp e o Splicevision da Splice.

E 1983 foi só o começo...


A CONSOLIDAÇÃO DO ATARI NO BRASIL

Se 1983 foi o ano do lançamento, 1984 foi o ano da consolidação do Atari por aqui. Após um Natal de sucesso, outros fabricantes começaram a "se mexer" e os que já estavam no mercado prepararam novos
lançamentos.

Outros consoles compatíveis com o Atari debutaram em 1984.O mais famoso e sem dúvida o melhor destes foi o Supergame CCE VG-2800. Lançado também por uma empresa de porte, o Supergame CCE obteve um bom sucesso. O console tinha dimensões menores e um desing diferenciado e bastante simpático (na verdade o design do console é parecido com o console americano da Coleco, o Gemini, o que nos levaria a pensar que o design foi copiado. Pode até ser que sim, no entando o Supergame CCE tem o design muito melhor, esteticamente mais bonito e mais prático que o Gemini). E apesar de muitas críticas que sempre pairavam sobre o fabricante, o Supergame CCE era de excelente qualidade. E mais, a CCE teve uma grande sacada: junto com o videogame ela lançou uma série de 9 cartuchos com títulos totalmente desconhecidos por aqui. O cartucho que acompanhava o console, Mr. Postman (O Carteiro), e um outro jogo chamado "Bobby Is Going Home (Bobby vai pra casa)" cairam no gosto do público e se tornaram um sucesso. Estes cartuchos tinham um rótulo colorido, diferente para cada jogo, e a caixa do cartucho na cor branca, mais um diferencial. Posteriormente a CCE lançou mais 22 jogos, desta vez os mais conhecidos (Enduro, River Raid, Pac Man etc), totalizando 31 jogos. Esta série foi lançada com um rótulo "padrão" para todos os jogos, mudando apenas o texto e o código do jogo e com a caixa tanto branca ou preta. (Mais detalhes consulte o Projeto CCE ou a Seção Cartuchos).


Entretanto não foi só a CCE quem quis aproveitar a onda. Outros fabricantes providenciaram seus consoles compatíveis com o Atari. Um deles foi a Dismac, conhecida fabricante de calculadoras eletrônicas e de microcomputadores compatíveis com Apple II, lançou também seu console, o VJ-9000. Esse console era muito interessante: a Dismac foi a única que lançou o videogame acompanhado dos controles paddles. Esses controles eram rotativos e serviam para alguns jogos específicos. Nem o Atari da Polyovox vinha com os paddles. Isso foi um atrativo interessante. E além disto a Dismac também lançou alguns cartuchos, claro, com o diferencial que o título do jogo no rótulo era "traduzido": por exemplo, Pitfall! virou "Pantanal", Kabbom virou "TNT", Freeway era "BR-101", assim por diante. Posteriormente a Dismac "relançou" o videogame com o código VJ-8900. A diferença era justamente os controles paddles, os quais não mais acompanhavam o aparelho. A justificativa, segundo a Dismac à época, era plausível: foi para manter o mesmo preço do console. Retirando-se os paddles, que realmente não eram usados em muitos jogos, a Dismac conseguiu manter o preço do VJ-8900 por mais tempo. (Lembrem-se que naquela época a inflação era alta, havia reajustes constantes dos preços, valorização alta do dólar etc.)

OUTRO FENOMENO: A FABRICACAO DE CARTUCHOS NACIONAIS

Evidentemente não eram somente consoles que existiam. O cartuchos - personagem tão principal quanto e talvez mais "popular" que o próprio console - teve um capítulo particular na indústria brasileira de videogames, na época.
No principio de tudo, quando ainda não se fabricavam videogames nacionais, os cartuchos eram importados, provindos do exterior, como os consoles. Porém não demorou muito para que os engenheiros e técnicos em eletrônica descobrissem como copiar os dados dos cartuchos e surgissem as primeiras
indústrias brasileiras de cartuchos compatíveis com o Atari.

Assim, as duas primeiras empresas que se tem notícia de ter iniciado esse processo foram a Dynacom Eletrônica e a Canal 3 Indústria e Comércio. Ambas estavam de olho já no mercado e no princípio visavam abastecer o mercado dos consoles importados, na mão de poucos privilegiados, os quais anseavam por cartuchos com os jogos. 

Isso ocorreu por volta do final de 1982 e começo de 1983. Neste ano, com o início da fabricação dos consoles nacionais, somaram-se aos fabricantes de cartuchos os fabricantes dos consoles, dos quais a Polyvox, que prometera inundar o mercado naquele ano com nada menos de 600.000 cartuchos. Não duvidamos - dada a "febre" e a ansiedade existente na época - que esse número tenha sido atingido e até ultrapassado. Os cartuchos da Polyvox seguiam o esquema "original" da Atari: todos com caixas, manuais, coloridos, impressos em "off-set", cartuchos com a mesmo tipo de caixa dos norte-americanos e tudo o mais. Mais caros que os outros, mas ainda assim bem mais baratos que os importados. E, lembrando mais uma vez, havia uma "fome" para o consumo dos jogos e praticamente qualquer coisa que fosse colocada a venda seria consumida.

Mas foi em 1984 que a indústria dos cartuchos realmente "explodiu": além dos fabricantes já existentes - Dynacom e Canal 3 - e dos fabricantes dos consoles - Polyvox, CCE, Dismac, Milmar - surgiram mais de 20 empresas, geralmente pequenas, que fabricavam e comercializavam cartuchos compatíveis com o Atari 2600. Realmente foram muitas, das quais podemos destacar: Digitel, Digivision, Zirok, Shockvision, Digimax, Imagic, Genus, Supergame...
Algumas inovavam, lancando cartuchos com 2 ou mais jogos (selecionáveis por chaves, liga-desliga do console e até por toque dos dedos !!!). A maioria dessas empresas teve que abrir mão de certos aspectos estéticos dos cartuchos - como caixas grandes, manuais coloridos etc, e aspectos técnicos também: os contatos dos cartuchos recebiam um banho de níquel ao invés de dourado, na maioria dos casos - em detrimento de um preço mais baixo.Isso não necessariamente significava um cartucho de baixa qualidade; boa parte deles tinham um bom acabamento e funcionavam perfeitamente (e continuam funcionando até hoje). E não é só isso: com o advento dos cartuchos nacionais pudemos contar com muitos e muitos jogos, haja visto que a Polyvox - o fabricante oficial do Atari no Brasil - somente lançaria jogos da Atari Corp. e é fato que existiam outros fabricantes de jogos no exterior, como a Activision, Imagic, Parker Bros., M-Network, CBS, Fox, Coleco etc. Assim as empresas fabricavam esses outros jogos (não da Atari, embora algumas também lançaram, mesmo assim, jogos da Atari) e tivemos a nossa disposição essa imensa variedade de jogos.

A Polyvox, claro, "sentiu" a concorrência, embora parecesse não se importar muito. Entretanto aconteceu um episódio particularmente interessante: num dos capítulos da novela "Transas e Caretas", exibida pela Rede Globo, a Polyvox fez um "merchandise" sobre os cartuchos de Atari, dizendo que somente os cartuchos originais dela eram recomendados para se usar no videogame e que os outros cartuchos, os quais apresentavam os contatos banhados a níquel, entre outras características, estragavam o videogame. A Dynacom não gostou muito da afirmação - afinal os seus cartuchos eram com contatos à níquel - e resolveu "comprar a briga", entrando com um processo para que a Polyvox provasse que os cartuchos dela estragavam o videogame. Não nos recordamos exatamente do desfecho da história, mas cremos que nada de mais grave aconteceu. Mas foi um acontecimento interessante, além do fato de o Atari aparecer em rede nacional. Isso tudo prova e dá uma idéia de como era o esse mercado na época.

Fato é, todavia, que foi graças a grande profusão de cartuchos a baixo preço e variedade que o Atari alcançou a extrema popularidade que teve por aqui. Sem medo de errar, podemos afirmar que se somente tivessem sido comercializados cartuchos "originais" (no caso os da Polyvox) o Atari não teria feito esse sucesso estrondoso.

Um aspecto bastante interessante nesses cartuchos era o fato que quase todos os fabricantes faziam alterações nos códigos binários dos jogos, de modo a alterar a inscrição na tela. Boa parte dos jogos vinha com a palavra ou o logotipo do fabricante (por exemplo, o famoso logo giratório da Activision) e as empresas nacionais modificavam os códigos de modo a mostrar o nome delas. O principal argumento para isso era, além de obviamente "personalizar" o jogo, era evitar problemas legais. Claro que essa era uma prática discutível, porém procuramos ver por outro ângulo: foi necessário muito trabalho e perspicácia aos técnicos e engenheiros para descobrir como funcionava o mecanismo de geração gráfica do Atari de modo a conseguir modificar os jogos. Mais um ponto para os técnicos e engenheiros brasileiros. Não só por isso, mas por outros feitos também, como conseguir descobrir como funcionavam os jogos com chaveamento dos bancos de memória (jogos de mais de 4 Kb); conseguiu-se uma maneira de reproduzi-los também. Embora, como já dissemos, esses aspectos sejam legalmente discutíveis é preciso elogiar e dar o devido mérito aos que conseguiram isso, foi um marco para a indústria e, ao que nos parece, pode trazer ao grande público os jogos a um preço acessível. O sucesso foi, claro, inevitável.

Existiu, ainda, outro "fenômeno" bem conhecido e isso com absoluta certeza somente ocorreu no Brasil. As chamadas "séries" de cartuchos. Basicamente existiam a "Série Prata" e a "Série Ouro". Ou seja os cartuchos eram vendidos como pertencendo a uma destas séries, e obviamente, a Série Ouro tinha preços mais elevados que a Série Prata. Surgiram algumas "séries" diferenciadas, como a "Série Diamante" ou "Série Especial" mas isso foi com pouco fabricantes e um ou outro jogo (geralmente um jogo muito procurado, como ocorreu com o jogo Decathlon, na época das Olimpiadas de Los Angeles em 1984). Embora fosse um artifício para cobrar alguns jogos mais caros que os outros, existia uma razão técnica que justificava essa prática: os cartuchos da Série Prata eram os jogos de 2 Kb e de 4 Kb; os da Série Ouro, os de 8 Kb. Ocorre que jogos de 8 Kb(ou maiores), além do Circuito Integrado da memória do jogo custar mais caro, necessitam de um circuito eletrônico adicional, uma placa de circuito impresso maior para sua construção e, por isso, mais trabalho na montagem. Consequentemente não havia jeito: eles sairiam mais caros. A solução encontrada foi criar estas séries; talvez se não existisse isso, os fabricantes cobrariam o preço mais caro por todos os jogos. Hoje em dia não são muito que se lembram disso, mas temos a certeza que ao ler sobre isso você se lembrará, pois era assunto muito comum entre os jovens jogadores da época.

Certo foi que, no ano de 1984, os fabricantes de cartuchos, todos sem exceção, terminariam o ano sorrindo. Assim como os fabricantes de consoles. 1984 foi, provavelmente, o melhor ano para o videogame nacional de uma forma geral.

A MANIA AINDA CONTINUAVA

Após o Natal de 1984, o qual foi tão bom ou melhor, em termos de sucesso tanto de vendas quanto de diversão para quem ganhava e jogavas os jogos, 1985 prometia continuar a "loucura" do Atari, e do videogame em geral, por aqui.

E, de fato, continou. Talvez um pouco mais comedido, se visto por um lado; talvez mais "sólido" se visto por outro. Porque agora a mania era mais entre os jovens (ou não) jogadores e menos dos fabricantes, dado que neste momento a grande maioria do pessoal já tinha os seus consoles e cartuchos. Isto desencadeou um fenômeno interessante entre os amigos, vizinhos e afins: a "troca" de cartuchos. O que ocorria: geralmente o amigo, o vizinho, o colega de escola etc, tinha cartuchos diferentes dos quais nós tinhamos. Resultado, o pessoal fazia "trocas", as quais na verdade eram um empréstimo: um colega emprestava o cartucho X para o outro e o outro, em troca, emprestava o cartucho Y. E ficavam uns dias cada um com os jogos, para depois procederem a devolução um do outro. Esse tipo de prática, ao que parece, foi "exclusiva" daquela época, não se vê esse tipo de coisa mais. E todos eram honestos, o pessoal sempre fazia devolução, mesmo porque o colega não queria se "queimar" perante os outros. E também gerava situações interessantes: sempre havia aquele colega que tinha os cartuchos mais cobiçados (como foi, por exemplo, o Decathlon, o HERO etc) o qual era o mais "procurado" para fazer as "trocas" de cartuchos, e por outro lado muitas vezes a "troca" não era concretizada pois o dito colega ja tinha os cartuchos que eram oferecidos para a troca, embora sempre se dava um jeito. E as histórias vão por ai a fora, apenas num exemplo de como a "molecada" da época realmente era vidrada nos jogos ao mesmo tempo em que desenvolvia um senso de amizade e cooperação, coisa bem rara nos dias de hoje.

Além desse aspecto lúdico e divertido - e extremamente importante - os fabricantes não estavam parados. Uma coisa que ficou com relativa popularidade foram as "interfaces" para fitas K7s. Para quem não conhece tratava-se de um dispositivo que eram encaixado no Atari e permitia "carregar" os jogos a partir de fitas K7; nas fitas eram gravados os dados dos jogos os quais eram reproduzidos por um gravador ou tape-deck, "lidos" pelo aparelho e colocados na memória deste. Após completado o processo de leitura o aparelho se comportava exatamente igual, em termos eletrônicos, a um cartucho comum. Embora elas já existissem desde 1984 foi neste ano que ficaram mais comuns, justamente pela quantidade de consoles agora nas mãos das pessoas. Existiram várias; a mais famosa foi, provavelmente, o "Supercharger" fabricado pela Canal 3 Indústria e Comércio. Essa interface possuia um design - e nome - idêntico ao americano fabricado pela empresa Starpath. Porém o Supercharger do Canal 3 tinha aspectos mais interessantes que o homônio importado. Enquanto o aparelho da Starpath tinha 6Kb de memória e permitia somente jogar os jogos exclusivos desenvolvidos para ele, o aparelho da Canal 3 permitia rodar os jogos "comuns" e mais: ele possuia 8Kb de memória e por isso permitia rodar os jogos mais sofisticados e populares. Aliado a isso a Canal 3 vendia o aparelho acompanhado de 10 fitas K7.

Outros aparelhos, porém, também surgiram: o Comp K7, da Splice, com um design que lembrava um cartucho mais "alto". Este aparelho não era tão sofisticado como o da Canal 3 pois permitia apenas rodar jogos de 4 Kb. Mas tinha o atrativo do preço mais barato. Outro que "ameçou" ser lançado (não conseguimos evidências da existência ou não deste aparelho) foi o Digigame K7 da Digitel. E existia até um aparelho, o "Game K7" que permitia transferir os dados de um cartucho para a fita e vice-versa. Todavia, apesar de interessantes, estes aparelhos, após um período de popularidade, começaram a cair em desuso pelos usuários, por vários motivos: as fitas não eram encontradas com tanta facilidade como os cartuchos, a maioria dos colegas não tinha o aparelho, ou tinha de outro modelo (o formato das fitas K7 eram incompatíveis entre um modelo e outro), e - talvez o principal motivo - as fitas demoravam para carregar, ao passo que os cartuchos a coisa era instantânea. Isso acabava com o dinamismo pois para trocar de jogo era preciso desligar o console, religar, voltar a fita, esperar carregar o jogo... Isso quando não ocorrim um erro de leitura da fita, o que obrigava o jogador a voltar a fita e iniciar todo o processo novamente. Claro que a "molecada" da época não gostou muito disso e não demorou para os aparelhos cairem no ostracismo e os que os compraram voltarem a usar - e comprar - os cartuchos normais. Temos que concordar com isso, embora interessante não era nada prático, ainda mais no contexto da época, em que a garotada queria jogar varios jogos, ir na casa dos amigos jogar etc. Porém, olhando pelo aspecto tecnológico, mais uma vez damos os parabéns aos técnicos e engenheiros em eletrônica da época, pelo desenvolvimento dos aparelhos, pois eles eram bem melhores que o único similar importado.

Aqui cabe um parentêses bem interessante: não sabemos se foi devido a estes aparelhos que espalhou-se o péssimo hábito de muitos jovens há época - e que ainda persiste até hoje em muita gente - de chamar os cartuchos de videogame de "fitas". Se você ainda tem esse hábito, abandone-o ! São duas coisas completamente diferentes. A fita K7 contém uma gravação sequêncial analógica do som, gravada magnéticamente numa fita plástica impregnada com micropartículas magnetizáveis. O cartucho contém um Circuito Integrado de memória, os dados são gravados na pastilha de silício do chip de forma digital e estão prontamente acessíveis.

Mas voltemos, pois, a nossa história.

E por falar em acessórios, um outro que também fez certo sucesso nessa época foram os chamados "teclados". Esses aparelhos consistiam em um cartucho, maior que os de costume, com dois cabos par aligas nas duas entradas dos joysticks e um terceiro cabo que fazia conexão com um teclado, semelhante ao de microcomputadores. O Atari com um aparelho destes era transformado em um "microcomputador" com linguagem BASIC. E de fato era possível a programação em BASIC - linguagem essa comum e muito popular nos microcomputadores da época - além de outras coisas como desenhar, compor pequenas melodias etc. O mais conhecido aparelho desta estirpe foi o Dactar-Comp, da Milmar Eletrônica, o qual até veiculava um comercial na TV sobre o equipamento. Um outro, menos conhecido mas de funcionamento equivalente, eram o CompuGame.

Estes teclados eram interessantes e conseguiram um relativo sucesso. A intenção deles - os quais também foram lançados no exterior (os nacionais eram cópias do teclado da Spectravideo) - eram "atualizar" o Atari de modo a enfrentar a "concorrência" dos microcomputadores, que estavam começando a ficar populares e baratos. Porém na prática o sistema como um todo se demonstrou lento para programar, o teclado não era "dinâmico" para isso e existia a limitação do hardware do Atari a qual não permitia coisas muito sofisticadas, em termos de programação em BASIC usando este acessório. E, mais uma vez, o "negócio" da "molecada" era jogar mesmo ! Deste modo esses aparelhos foram vistos por aqui mais como uma curiosidade do que para um uso "intenso".

Todos esses aparatos tecnológicos foram algumas das armas dos fabricantes para manter o interesse no Atari e manter o "mercado" em alta. Talvez nem precisasse pois o que a garotada queria era jogar. E obviamente os fabricantes sabiam disso. Neste ano começaram a aparecer cartuchos com jogos mais "sofisticados", como James Bond 007, Gremlins, He-Man, Porky's, HERO etc. Este último alias foi o grande hit e, juntamente com o Enduro e o River Raid, foi um dos cartuchos de mais sucesso por aqui, sem dúvida !


Os fabricantes ja "tradicionais" começaram a diversificar os jogos também. A própria Polyvox lançou jogos da Activision com o interessante selo de "cartucho original", com o case da Activision inclusive. E os manuais dos jogos cairam um pouco de qualidade: no lugar dos manuis coloridos e paginados entraram os manuais monocromáticos azul e com folha única, apenas dobrada. Provavelmente por questões de custo.

Outro fabricante também colocava no mercado um console compatível com o Atari: a Microdigital, tradicional fabricantes dos microcomputadores da linha TK, lançava o Onyx Jr. A Microdigital havia "ameaçado" lançar o Onyx, compatível com o Colecovision, mas decidiu lançar um console compatível com o Atari, por razões de mercado (o console compatível com o Colecovision sairia muito caro, tal qual aconteceu com o Splicevision). O design do Onyx era interessante, de tamanho compacto e parecido, externamente, com o Supergame da CCE, ele era verde-escuro e possuia uma característica única entre os consoles compatíveis com o Atari: um botão de PAUSA ! Acionando-se esse botão o jogo era paralisado, continuando-se quando se desacionava o botão. Devido as características do Atari, durante a pausa a tela ficava preta. Mas era um adendo muito interessante, e útil até. No entanto, talvez devido a ter sido lançado tardiamente e possuir controles não muito anatômicos, o Onyx Jr. não teve uma participação muito grande no mercado. Obviamente, como todo o fabricante de console da época, exisitiram os cartuchos da Microdigital, com desing combinando com o console: cartuchos com o case verde e o design da caixa lembra muito os da Activision. A Microdigital lançou poucos títulos, todos ja bem conhecidos.

E com lançamentos aqui e ali, o mercado de videogames nacionais terminava o ano de 1985 com um Natal novamente bom, em termos de procura dos jogos e consoles. Porém começava-se a notar os primeiros sinais de retração do mercado. Estaria o Atari "perdendo a força" ? Talvez...

A DERROCADA HISTÓRIA

De 1986 em diante, infelizmente, o mercado dos videogames começou a "esfriar". Este ano ainda o Atari tinha força e jogos continuavam a ser fabricados e lançados. Porém de 1987 em diante a produção foi diminuindo. Em grande parte a causa maior do "fim" da febre do Atari foram a popularização dos microcomputadores com capacidades gráficas e sonoras superiores a do Atari, como os micros TK90X e TK95, os CP-400, os micros da linha MSX, etc. mesmo porque os micros perfaziam outras funções que não apenas jogar.

Boa parte dos pequenos fabricantes de cartuchos foram parando a fabricação e muitos fechando as portas; outros se dedicaram a fabricação de cartuchos para videogames mais "modernos" ou simplesmente mudaram de ramo de atividade. Um a um, os fabricantes de consoles foram parando a produção: Dismac, Microdigital, Bit Eletrônica... A Milmar ainda se lançou o "Memory Game", um console bem compacto, com design muito parecido com o Atari Jr. da Atari americana, e com jogos embutidos na memória do console. A Dynacom parou a produção do Dynavision 1 e cartuchos para lançar o Dynavison 2, compatível com o Nintendo Enterteinment System, embora ela tenha lançado posteriormente o Megaboy, um console Atari portátil, o qual emitia o sinal de RF via antena para a TV, funcioando "sem fio"; junto com ele foi desenvolvido um cartucho educacional, que é o cartucho de Atari com mais memória existente, para um jogo apenas, 64 Kb. A Polyvox foi única e a última a fabricar consoles compatíveis com o Atari, com o Atari 2600-S, um console que tinha os botões diferentes, com fonte interna, não possuia chave "color/P&B" e tinha os joysticks fixos, com os cabos saindo pela parte da frente do console. Notava-se uma qualidade mais baixa quando comparado aos primeiros Atari lançados.

A Polyvox encerrou a fabricação do Atari no fim da década de 80, pondo um fim a indústria nacional do Atari.

Uma indústria que superou o aspecto comercial apenas, que foi muito peculiar, bem "brasileira", que representou num aprendizado e desenvolvimento tecnológico muito grande e que certamente marcou a memória de muitos e muitos garotos da época, que guardarão as emoções vividas naquela época para sempre.

Cemitério de lojas




Estão vendo o prédio da direita na foto ao lado? É o Venâncio 2000. Até meados da década de 90 era o shopping com a maior quantidade de lojas no Distrito Federal. Assim como várias lojas de rua sofreu com a concorrência dos novos shoppings que surgiram, principalmente este que aparece à esquerda da foto - o Pátio Brasil. Hoje possui um andar inteiro desativado por conta da debandada de lojas e mesmo as que ainda sobrevivem acabam por ilustrar o caráter agonizante do edifício. Recentemente as marquises da entrada em frente ao SHS foram retiradas, o que deu um ar mais tétrico ainda.

No segundo subsolo ficava a loja âncora do shopping: As Casas da Banha, que ocupava metade do andar. E já que tocamos no assuto vamos incrementar a conversa de botequim. Sempre tem aquele que tenta lembrar de lojas antigas que havia em Brasília para impressionar os amigos, mas no fim das contas o que aconteceu com elas:


Já que falamos nas Casas da Banha vamos começar por ela. A rede de supermercados carioca possuía cinco lojas no Distrito Federal: a do Venâncio 2000, a do Brasília Rádio Center, a da 513 norte, a de taguatinga e a de sobradinho. Com o fechamento da rede em 1992 por "questões de ordem financeira" os condomínios tiveram que se virar para ocupar as grandes áreas onde ficavam o supermercado.



Destino semelhante tiveram duas lojas tradicionais e que sempre são lembradas pelos saudosistas como sinônimo de Brasília. A Bi Ba Bô existia desde 1957 - ou seja, mais antiga que Brasilia - e sempre ocupou aquela loja da 508 sul. Chegou a iniciar a construção de um grande magazine nos moldes do Mappin paulista, mas as dificuldades financeiras acabaram por interromper a obra e deixar o esqueleto abandonado. Em 2007 foi realizada a implosão do mesmo e em seu lugar foi erguido um moderno prédio de escritórios. Já a sua irmã informal (ninguém lembra de uma sem lembrar da outra), a Fofi, ficava na 510 sul e se destacava por vender artigos para recém nascidos e nunca deixava de aparecer na mídia, o que fez com que sua marca nunca deixasse de ser lembrada. As duas, assim como diversas lojas tradicionais como as Casas Nordeste, sucumbiram com a decadência que se abateu na W3 sul durante a década de 90.


Já uma outra rede de supermercados se acabou por outras razões. A Cobal (Companhia Brasileira de Alimentos), empresa pública que era vinculada ao Ministério da Agricultura, foi fundida com a Cibrazem (Companhia Brasileira de Armazenamento e formou a Conab durante o Governo Collor, com isso seus supermercados foram fechados, os imóveis repassados a outras redes e a Rede Somar - mercados menores, de particulares, que eram abastecidos pela empresa como numa franquia - extinta, deixando os estabelecimentos vinculados por conta própria. A maior das unidades da Cobal ficava na Entrequadra 310/311 e hoje abriga um Carrefour Bairro. Destino semelhante teve a SAB, a equivalente a Cobal no GDF, e que era famosa por seus Mercados Volantes, expediente que a Cobal também possuía.


Havia também as lojas ligadas à Companhia Brasileira de Distribuição. A mais famosa delas era o Jumbo que possuía lojas no Conjunto Nacional, no Gilberto Salomão, na 502 e na 516 sul, em Taguatinga, entre outras. Durante a década de noventa o grupo passou por uma reformulação estrutural e as outras marcas pertencentes a CBD como Minibox, Superbox (tinha em Taguatinga e no Guará) e Sandiz (ocupava toda a parte esquerda do Parkshopping onde hoje fica a praça da alimentação e a Fnac) foram incorporadas ou à marca Pão de Açucar ou à marca Extra.





Havia também a Sears (satisfação garantida ou seu dinheiro de volta, lembra?). Ficava na parte acima de onde hoje é a Riachuelo no Conjunto Nacional. Se juntou à Sandiz e seguiu o mesmo destino listado acima.

Outros supermercados menores foram sucumbindo com o tempo. Alguns exemplos: Panelão (EQS 306/307 e Venâncio 3000), Chapecó (Av. Hélio Prates - Taguatinga), Slaviero (505 sul, isso mesmo, atrás da concessionária, lembra?), Bom Motivo (ocupou a loja posteriormente), Planaltão (foi comprado pelo Carrefour e virou Champion), entre outros. Quem lembrar de mais pode postar nos comentários.

E as lojas do texto anterior? Da Mesbla todo mundo lembra: ficava ao fundo do Parkshopping onde hoje fica a Renner. As Brasileiras ocupavam dois andares do Conjunto Nacional, mais precisamente o primeiro (na área onde está atualmente a Zelo e as lojas em volta) e o térreo (onde está a Novo Mundo). E poucos sabem, mas chegou a ter uma loja do Mappin em Brasília, a mesma foi inagurada junto com o Pátio Brasil para ser uma das lojas âncora do novo shopping mas foi fechada junto com toda a rede dois anos depois, no local está agora a loja Otoch.

Enfim, muitas marcas não resistiram às mudanças do mundo, mas na memória provavelmente irão existir eternamente, pelo menos enquanto houver engraçadinhos a invocá-las para impressionar os colegas.

Clébio.

A Morte e a Ressureição de Mappin e Mesbla



29 de julho de 1999: decorem esta data.

Há dezoito anos. Provavelmente esta data e os acontecimentos ocorridos na mesma ainda causem calafrios no empresariado brasileiro e em todos aqueles que foram afetados naquele dia, principalmente os investidores (ou seria melhor dizer malucos) e os trabalhadores que de uma hora para a outra se viram postos no olho da rua ao encontrarem seus locais de trabalhos lacrados pela Justiça.



Naquele dia 29 de julho dois dos maiores ícones do varejo brasileiro tiveram sua falência decretada, a paulista Mappin e a carioca Mesbla. No mesmo dia as Lojas Brasileiras (Lobras) anuciaram o encerramento de suas atividades.

Das três, a empresa que estava há mais tempo em atividade no Brasil era a Mesbla (desde 1912, um ano antes do Mappin). Em comum com a empresa paulista há o fato de ter sua origem em empresas estrangeiras (a francesa Mestre & Blatge e a Mappin Stores, fundada por ingleses), porém enquanto a primeira começou a se expandir lá pela década de 50 por várias das principais capitais do país, a segunda possuía poucas, mas enormes lojas, na cidade de São Paulo - a principal delas na Praça Ramos de Azevedo - se tornando um ícone paulistano. Quis o destino também que as duas, apesar das trajetórias de crescimento diferentes, acabassem por se juntar para morrerem abraçadas.






Antigo prédio do Mappin na Praça Ramos de Azevedo: Símbolo do consumismo paulistano.


Em 1996 o empresário Ricardo Mansur assumiu o controle acionário do Mappin com o intuito de recuperar a empresa. No ano seguinte fez o mesmo com a Mesbla com a intenção de, com as duas empresas recuperadas, fundi-las e vendê-las com lucro. Porém seu plano não deu certo: veio a crise cambial, os investidores que deram margem pra sua decisão (o principal era o Bradesco) voltaram atrás e em dois anos o conglomerado já havia superado a marca de um bilhão de reais em dívidas.

O que se viu a partir daí foram inúmeras passeatas de trabalhadores, brigas judiciais com fornecedores e até mesmo a entrada do governador paulista Mário Covas na tentativa de interceder pela empresa. Tudo em vão. Naquele dia 29 as duas principais lojas do Mappin amanheceram lacradas e a patir daí todas as lojas das três empresas (Mappin, Mesbla e Lobras) foram caindo uma a uma. Ficou comum naquela época ver lojas da Mesbla em seu estado terminal quase vazias de produtos, ou então lojas da Lobras venderem tudo que havia no estoque a preço de banana para esvaziar rapidamente.


Fachada das Lojas Brasileiras em Uberaba - MG.



Lobras sendo "depenada" em liquidação de fim de estoque em Recife - PE. Foto: JC Imagem.


O ano de 1999 estava sendo fatídico para a economia brasileira. Desde o início do Plano Real que uma série de empresas tradicionais vinham fechando as portas, principalmente bancos. Aí quando veio a desvalorização da moeda ocorrida naquele ano o quadro se agravou, pois empresas que já vinham capengando viram suas dívidas mais que dobrar. Até aquele famigerado dia 29 dezoito empresas já haviam sucumbido - Entre elas destacam-se, além das empresas citadas, a Rede Manchete, a G. Aronson e a Encol.



Agora, mais de dez anos depois, a colunista Mônica Bergamo revela em sua coluna na Folha de São Paulo algo que poucos haviam percebido: Há um site da Mesbla no ar alardeando um retorno em breve, além de estar oferecendo a possíveis futuros fornecedores um formulário para cadastro. Há também um do Mappin, mas neste há apenas uma mensagem de "breve". O que parece que os dois endereços passam para quem vê é a idéia de criar lojas virtuais aos moldes dos sucessos do Magazine Luiza e da Americanas.com, para isso Mansur, que não quis dar entrevistas sobre o assunto, tenta acelerar contatos em Nova York para captar recursos com investidores internacionais.

Que as marcas Mappin e, principalmente, Mesbla são fortes ninguém duvida. O duro é acreditar que um empresário, que carrega em suas costas uma das maiores bancarrotas do Brasil, venha a conseguir convencer alguém a apostar nesta empreitada sem despertar os fantasmas do passado.

Um bom retorno à Mesbla e o Mappin. Se voltarem, claro.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

De 1951 a 2016: veja 65 anos de evolução dos filmes de super-herois dos quadrinhos -Parte 06


Quarteto Fantástico (2005)


A Marvel Studios se deu bem em várias produções espalhadas por outros estúdios, mas o Quarteto Fantástico não teve tanta sorte. O longa chegou com os personagens clássicos da editora e, neste primeiro longa, o diretor deixou aflorar o lado cômico dos heróis. Os fãs não ficaram nada felizes.



X-Men: O Confronto Final (2006)


Sem Bryan Singer na direção, os mutantes retornaram para sua terceira aventura. Embora o resultado final seja inferior aos dois longas anteriores, as bilheterias responderam bem.



Superman: O Retorno (2006)


O êxito da Marvel em vários filmes fez a DC também querer investir cada vez mais em seus personagens no cinema. Depois da volta de Batman era chegada a hora de colocar na ativa Super-Homem, seu maior ícone. O diretor escolhido para a tarefa foi Bryan Singer e o ator foi Brandon Routh. Embora o filme tenha dado um certo lucro, ficou muito abaixo do esperado pela Warner e a reverência total aos longas com Christopher Reeve não foi exatamente o que as pessoas esperavam. Ficou parecendo um repetição do passado e não houve força suficiente para dar início a uma franquia.



Motoqueiro Fantasma (2007)


Nicolas Cage, fã de quadrinhos, finalmente conseguiu interpretar um super-herói nas telas. Motoqueiro Fantasma tem alguns poucos acertos, como o efeito do crânio do protagonista em chamas, mas os erros são bem mais numerosos. E a história fraquíssima gerou muitas críticas.



Homem-Aranha 3 (2007)


O Aracnídeo da Marvel foi muito bem em seus dois primeiros filmes e em sua terceira aventura decidiram tornar tudo muito maior. Assim, o herói encarou três grandes vilões, o que deu uma bagunçada geral na história, que realmente ficou confusa. Foi bem nas bilheterias, mas acabou sendo o último filme do personagem com direção de Sam Rimi e com Tobey Maguire no papel principal.



Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007)


Mesmo com as críticas ao primeiro filme, a Fox e a Marvel decidram manter o diretor e os atores nesta sequência, que veio num tom um pouco mais sério. Mas muita coisa também desagradou os fãs, especialmente o fato de o vilão Galactus ser retratado como um vapor. Todo mundo queria ver o gigante do jeito que é nas HQs. Bem, depois dessa, o Quarteto deu um tempo do cinema.



Homem de Ferro (2008)


Este filme foi importantíssimo para a vida dos super-heróis no cinema. Foi o primeiro feito exclusivamente pela Marvel Studios e tinha de dar certo para os planos ambiciosos da empresa. Para a sorte de todos, tudo correu bem e as expectativas do estúdio e dos fãs foram superadas. Robert Downey Jr. ficou perfeito no papel e o Homem de Ferro em ação foi algo sensacional de se ver na tela.

Fonte: O Capacitor

sábado, 11 de fevereiro de 2017

De 1951 a 2016: veja 65 anos de evolução dos filmes de super-herois dos quadrinhos -Parte 05


Hellboy (2004)


Mais um personagem independente chegou às telas para mostrar a força dos quadrinhos. Hellboy, um anti-herói bem divertido, conseguiu se dar bem e a direção de Guillermo del Toro deu aos fãs um longa bem divertido.



O Justiceiro (2004)


O personagem vinha fazendo muito sucesso nos quadrinhos com as histórias violentas e divertidas criadas por Garth Ennis. A Marvel tentou transportar isso para as telas, mas não deu lá muito certo.Thomas Jane até ficou interessante como Frank Castle, mas o fato é que a produção não deu liga.



Homem-Aranha 2 (2004)


O herói voltou à ativa neste segundo longa que se deu muito bem nas bilheterias e também agradou os fãs. Muita ação e pancadaria do Aranha contra o Dr. Octopus mostrou que o personagem era mesmo um dos mais queridos nas HQs e nas telas.



Elektra (2005)


Mesmo com o fracasso do filme do Demolidor, decidiu-se investir em Elektra. A personagem seria uma vez mais interpretada por Jennifer Garner. Infelizmente a coisa desandou geral e o longa solo da ninja assassina foi uma tragédia. Sabe quando tudo dá errado? Então.



Batman Begins (2005)


Após os desastres de Joel Schumacher coube ao diretor Christopher Nolan resgatar o Homem-Morcego no cinema. E a reformulação foi completa: novos atores, nova abordagem, tudo diferente. Deu certíssimo.

Fonte: O Capacitor
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